ADVERTÊNCIA

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sábado, 3 de abril de 2010

CAPA

Figura: Seitas Secretas - Mistérios do Desconhecido, Editores Time Life Livros / Abril Livros 1992
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Licença Creative Commons
ALÉM DAS FRONTEIRAS E MISTÉRIOS DO DESCONHECIDO.
-Além das Fronteiras e Mistérios do Desconhecido, inserido no blog http://satopradomisteriosdesconhecidos.blogspot.com.br/-

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'Do original: 'Fronteiras e mistérios do desconhecido - Realismo fantástico deste e do outro mundo', 1998, de Celso Prado, com as seguintes publicações e/ou disponibilizações:

  • Excerto do original sob o título: Dos atributos da alma e da existência de Deus, Celso Prado, publicação em 1998, edição em papel - divulgação. 
  • Celso Prado, 'Fronteiras e mistérios do desconhecido - Realismo fantástico deste e do outro mundo', homepage disponibilizada pela Argon Provedor de Internet - http://www.argon.com.br, 2000/2005.
  • Celso Prado, 'Fronteiras e mistérios do desconhecido - Realismo fantástico deste e do outro mundo', sítio eletrônico pela Design Future, http://www.celsoprado.com, 2005/2007.
  • Blog Celso Prado, 'Fronteiras e mistérios do desconhecido - Realismo fantástico deste e do outro mundo', http://celsopradomisteriosdesconhecidos.blogspot.com.br, 2007/2010
  • Blogs de Celso Prado, 'Além das fronteiras e mistérios do desconhecido - mitos, tabus e preconceitos',  http://www.satopradomisteriosdesconhecidos.blogspot.com.br, 2010/2013, edição revista e acrescida, com coautoria de Junko Sato Prado. 
  • Blog SatoPrado, 'Além das fronteiras e mistérios do desconhecido', versão 2016: edição revista, corrigida e ampliada dos estudos disponibilizados em 03 de abril de 2010    http://www.satopradomisteriosdesconhecidos.blogspot.com.br  
Os autores guardam os originais com os respectivos registros desde 1998 (Cópias Digitalizadas: Arquivos dos Autores - CD: A/A).
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- Edição atual (2016): 

http://satopradomisteriosdesconhecidos.blogspot.com.br/
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ADVERTÊNCIA

-FRONTEIRAS E MISTÉRIOS DO DESCONHECIDO
REALISMO FANTÁSTICO DESTE E DO OUTRO MUNDO-

DOS MITOS, MAGIAS, PARAPSICOLOGIA, RELIGIÕES E TODOS OS GRANDES MISTÉRIOS QUE ACOMPANHAM A HUMANIDADE DESDE TEMPOS IMEMORIAIS

ADVERTÊNCIAS:
-Apesar do sugestivo título e ser uma página inteiramente aberta a discussões – por isso mesmo em permanente construção de acréscimos – cumpre-me, como responsável pelas matérias abordadas, alguns esclarecimentos tidos como de interesses gerais:
-Alguns dos assuntos abordados e certos ensinamentos ou sugestões como magias, mancias, etc, são práticas condenáveis pela grande maioria das Seitas Cristãs, assim como condenam contraceptivos (camisinha, pílulas anticoncepcionais, DIU 'dispositivo intra uterino'), o sexo antes e fora do casamento, abortos, etc. Se você tem problemas da ordem, prevenções a respeito ou situações de consciência, não prossiga leituras ou então escolha um tema com bastante atenção – seu ponto de vista é e será sempre muito bem respeitado, sem crítica alguma, pois em tudo você está certo desde que em paz e satisfeito consigo mesmo.
-Se você é religioso convicto ou tem opinião formada quanto à própria existencialidade, talvez estas páginas sirvam apenas como acréscimo cultural ou simples curiosidade; quem sabe você até mude de opinião, mas não é essa a intenção proposta.
-Se a sua fé se acha circunstancialmente abalada, ou que você esteja à procura de uma religião ou fé salvacionista, não lhe é nada recomendável esta leitura; não prego e não vivo religião, não tenho seguidores – também não levanto ofertas, não cobro dízimos e muito menos aceito doações.
-Não leia as matérias inseridas, caso você tenha certos temores de atrapalhos à sua religiosidade; com certeza atrapalharão sim a sua vida espiritual, com as novas possíveis descobertas.
-Aos menores de idade, recomendo que não prossigam leituras sem anuência dos pais ou responsáveis; não é bom um curioso, sem as devidas e necessárias estruturas psicológicas, intelectuais ou de convicções religiosas definidas, aventurar-se no desconhecido para assustar-se ou trazer preocupações aqueles que o amam.
-Aos fiéis evangélicos pentecostais e neo-pentecostais, aos católicos carismáticos e aqueles que tem crença em Deus e procuram viver de conformidade com os preceitos bíblicos, é recomendável que se discuta primeiramente com seus líderes espirituais a viabilidade de tais leituras, para que depois não venha ser censurado ou mesmo excluído de sua denominação, por exibir novas idéias ou questionar valores. Se você espera ensinamentos de práticas de feitiçarias, talvez perca seu tempo, pois que esses estudos são dedicados às Magias (Ciências Ocultas) e demais temas encimados; assim mesmo é interessante que você avance páginas, quem sabe possa encontrar assuntos de seu interesse.
-Todas as críticas, desde que construtivas, são bem vindas, e para isto utilize o correio eletrônico, onde você poderá, se assim o desejar, emitir seu parecer, tirar dúvidas (dentro do possível); será mantido sigilo absoluto do nome, desde que você assim o deseje, e suas mensagens, se autorizadas, poderão ser publicadas desde que julgadas de interesse
-Os textos não estão revistos e nem corrigidos, podendo haver erros de digitação e de construções gramaticais; corrija-os sempre que necessário ou faça advertências para correções devidas.
-Esta página é confeccionada por mãos amadoras, sem os requintes próprios de profissionais – fica a promessa de melhoras tão logo possível.
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APRESENTAÇÃO

ALEM DAS FRONTEIRAS E MISTÉRIOS DO DESCONHECIDO REALISMO FANTÁSTICO DESTE E DO OUTRO MUNDO 

DOS GRANDES MISTÉRIOS QUE ACOMPANHAM A HUMANIDADE DESDE TEMPOS IMEMORIAIS 
 
Algumas palavras
Este trabalho não tem pretensões de ineditismo, e sim de apanhados acerca do além dos mistérios e fronteiras do incognoscível, e dele querer saber.
Óbvio que para se chegar a esta apresentação diversos livros foram procurados, além das pesquisase buscas de respostas aos temas propostos para melhor formar opiniões e, assim, ordenar assuntos dentro das desordens encontradas, a ponto da oportunidade deste ensaio e tópicos nele inseridos e postos estimuladores para o título presente.
Esta publicação trata, sem dúvidas dos grandes mistérios que, desde a antiguidade, interessam ao homem independentemente de suas crenças ou o não crer, das classes sociais ou níveis de intelectualidade, porque verdades inerentes a um ser essencialmente religioso obrigado a se relacionar com a natureza e suas forças interativas.
Exatamente nestes aspectos a religiosidade, ou mesmo o ateísmo, age como interação homem/natureza a satisfazer não apenas as necessidades básicas da sobrevivência, mas a própria razão da existencialidade, porque é pela natureza, integrada ao Cosmo, que o homem se faz presente e dominador no planeta.
No princípio a terra era morada do homem, dos animais, vegetais e minerais, ou seja, de tudo aquilo que se podia ver e apalpar. Já o universo visível, porém inatingível, teria de ser obra dos deuses e moradas deles, enquanto o caos era a casa dos demônios que, furiosos, intervinham na natureza pelas catástrofes, quando estas não fossem castigos dos deuses, entenda-se nisto, as ações promovidas pelos demônios sob consentimento dos deuses para algum efeito punitivo.
Tudo isto, no entanto, tinha de ter história, pois que a dualidade deuses/demônios não podiam coexistir dentro do belo e do bom com o feio e o mal. Nestes aspectos nada impossíveis a compreensão que, antes de todas as coisas visivas existira um céu invisível, um mundo belo e bom pela vontade dos deuses, onde não se comensuravam o tempo nem o espaço, até que, surgiu a agitação, a tremenda explosão expansionista [prefiguração do big-bang] que deu cor e materialidade a um universo nervoso com formações e choques contínuos para o surgimento de incontáveis mundos.
Os primeiros acontecimentos, assim, somente poderiam ser explicados como uma rebelião entre os deuses, em que os revoltosos e maus foram projetados nos abismos do incomensurável, de cujo cataclismo resultante a terra abrigou vida e, nela, se fez surgir o homem para dominação após longo período evolutivo. Se em outros mundos tal vida igualmente acontecera, isto ficava além do saber.
No princípio, comumente se sabe, o homem temia a natureza exatamente por não compreendê-la, conferindo aquilo de bom aos deuses, enquanto aos demônios atribuíam-se os acontecimentos nefastos, com isso a mística de agradar os deuses e apaziguar os demônios, valendo-se dos intermediários espíritos protetores, a quem as preces, e os humanos capazes de comunicações com aqueles mundos [invisíveis], levando os pedidos, trazendo as mensagens e oferecendo os agrados, através das magias imitativas, representativas e sacrificais.
O pensar as dualidades, deuses e demônios, e nelas compor os motivos de sucessos e fracassos, nos mais variados aspectos e setores da existência humana terrena e expectativas pós-morte, desenvolveram-se as místicas e as religiões com as quais o homem convive ainda hoje, se crente, com dependência incompreendida de tantos cultos e ritos, se agnóstico numa ansiedade entre o não saber nem compreender, enquanto aos ateus a certeza do nada sem, no entanto, se livrar do universo ao qual sempre esteve integrado e do qual jamais se separará, por toda eternidade, um átomo sequer.
Todavia, as pretensões neste trabalho não se acham apenas invocadas para os mistérios do desconhecido, até porque, acredita-se, senão impossível, qualquer revelação integral, pois que tudo reside na questão do crer ou não crer, de qualquer maneira todos crendo, nisto ou naquilo que pode ou não existir.
Portanto, este trabalho não se prende apenas no existir ou não vida além-túmulo, ou nas pretensas manifestações espirituais, pois que o instituidor adentra desde a existência da alma e seus atributos, comparando-os com poderes da mente, até outras tantas inquirições, como a historicidade de Jesus, ou se ele e João Batista foram ou não foram membros da Comunidade dos Essênios, ou de alguma das outras Seitas ou Fraternidades também descritas neste estudo.
Também, não foram esquecidos os doze apóstolos de Jesus nem o objetivo de cada um deles, naquilo que realmente esperavam do Rabino, inclusive o questionamento que muitos evitam: 'Porque Judas cometeu o ato da traição?'.
Outros assuntos surgem não menos intrigantes e polêmicos, como o mito do deus solar; Jesus filho de hierogamia; dos anjos e demônios bíblicos; o livre arbítrio ao lado da predestinação e da eleição; o Sudário de Turim - crer ou não crer; e da inerrância e infalibilidade bíblica.
Por conseguinte, são considerados destaques as matérias 'Vida Além Túmulo, com ou sem consciência?' e a 'Teologia da Reencarnação e das manifestações dos espíritos', estudos inteiramente desenvolvidos dentro da Bíblia, ou a partir dela. A primeira menção coloca em xeque os dogmas cristãos que apontam as existências do Céu para os bons e o Inferno para os maus, com um Purgatório de entremeio, enquanto a segunda busca comprovar biblicamente a reencarnação e as manifestações de espíritos, bons e maus, com a permissão divina através de médiuns.
Estudos desta grandeza não podem e nem devem aspirar verdade absoluta, nem desrespeitar a crença de cada um.
Santa Cruz do Rio Pardo, maio de l.998.
Do autor. 

QUEM SOU EU?

Uns dizem que sou bruxo, outros um feiticeiro, ao lado daqueles que me consideram mago; não importa o que eu lhes diga, enquanto viver, uma coisa ou outra sempre serei.
Dizem que meus trabalhos matam, que curam, que nem uma coisa nem outra. Depois de trinta anos de vivência no meio, qualquer opinião não poderia ser diferente.
Não adianta dizer que sou Teólogo versado em Teogonias, Especialista em Educação e Pedagogo, pois muitos insistirão sempre que sou 'pai de santo', 'ateu' e 'comunista'. Alguns tantos talvez ainda se lembrem que fui dono de Academia (ATAM - Associação Técnica em Artes Marciais), outros que fui funcionário da Saúde (Chefe de Administração Geral, Assessor e Diretor cargo que hoje corresponde ao atual Secretário Municipal de Saúde), e aqueles que nunca ouviram falar meu nome.
Bem, posso dizer que comunista nunca fui, a não que, por comunista, seja aquele sempre em defesa das categorias menos privilegiadas do funcionalismo público, classe que orgulhosamente pertenço, partícipe e líder de greves justas por reivindicações diversas, inclusive punido por assumir toda responsabilidade por todos os movimentos paredistas, sem prejuízo a qualquer subordinado. A minha história funcional testifica que nunca temi enfrentar e expor razões aos grandes, bem como criticar apaniguados do poder. Se a isso chamam comunista, então eu fui e com certeza voltarei sê-lo se novamente tiver oportunidade, mesmo sem jamais haver compreendido adequadamente os ideais comunistas ou com eles me identificado algum dia.
Ateu talvez eu seja por maioria de voto, nunca por convicção. Mas de que adianta dizer que sou apenas Agnóstico muito bem esclarecido, se não compreendem nada do significado disto?
Pai-de-santo eu nunca fui mesmo, Pai-no-santo sim, durante muito tempo à frente de trabalhos (vinte e oito anos), coroado e autorizado à prática de culto afro-brasileiro; dedicando atenções especiais com registro para atendimento teológico-psicanalítico, desde 1986, com atenções aos fenômenos parapsíquicos (da mente), espirituais e manifestos de/recorrentes, dos exteriorizados, assim como atuações práticas de análises, do desenvolvimento das paranormalidades e dos diversos estados mediúnicos.
Alguma contradição em ser agnóstico e teólogo? Não, sempre estive em busca de um melhor sentido de vida e jamais cessarei. 
Findas exposições, quero compartilhar com você, nestas linhas, meus momentos e experiências, quem sabe também aprender nas suas perguntas, dúvidas e conhecimentos que me possa transmitir.
Abraços,
Celso Prado

Santa Cruz do Rio Pardo, SP, Janeiro/2000



Biografia:
Celso Prado, nascido em Paraguaçu Paulista aos 16 de junho de 1952, sempre teve ativa participação política estudantil e popular, notoriamente durante o regime militar de 1964. Funcionário aposentado da Saúde Pública do Estado de São Paulo fixou residência em Santa Cruz do Rio Pardo, em abril de 1977, onde se casou - após divórcio, com a cirurgiã-dentista Junko Sato. Tem os seguintes filhos, os assisenses Arthur Celso Castilho Prado e Gisele de Castilho Prado - do primeiro casamento, e os santacruzenses Mitchell Yutaka Sato Prado e Lorana Harumi Sato Prado.
Especialista em Educação, Pedagogo e Teólogo, com formação em Teogonias e Teologia Psicanalítica, com larga experiência em cultos afro-brasileiros foi também seminarista da Ordem Lazarista.
Declara-se Agnóstico, ao firmar-se "na posição filosófica simbolizada pelo dito Socrático: só sei que nada sei, e por defender a incapacidade do intelecto humano na apreensão das verdades supremas da existência".
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O MISTÉRIO DA MORTE E O ENIGMA DOS SONHOS

Cedo ou tarde o homem defronta-se com a grande realidade de sua existência: a morte.
O que é a morte?
Inevitavelmente, diante desta sentença inapelável e irreversível, o questionamento a respeito do pós-túmulo se faz presente: é a morte um aniquilamento total?
E aí surgem os motivos temíveis, envoltos em grandes mistérios e dúvidas que nortearam e norteiam reflexões íntimas ou compartilhadas, ao longo de uma vida que é, apenas, aquele lapso de tempo entre o chegar e o partir, acabando, quem sabe, num rápido instante meditativo: teria valido a pena? O que virá depois?
Mas é esse espaço de tempo de algumas décadas, quando tanto, que faz o homem e sua história. Não, não cabem aqui julgamentos se o indivíduo foi o primor das virtuosidades, em pró a coletividade e/ou a si próprio, se foi o maior dos devassos de tristes memórias, ou se foi apenas uma neutralidade. A morte não os distinguirá pelas ações, ficando apenas para os vivos as lembranças e opiniões sobre aqueles que se destacaram num ou outro campo, enquanto para os anônimos, talvez duas gerações de familiares e amigos com eventuais recordações.
Seria a morte algo assim tão terrível ao igualar todos os homens nas sombras do seu silêncio profundo?
Falar da morte e seus mistérios seriam evocar todo o passado da historicidade humana e entender como o homem primevo, tão insipiente ainda, convivia com a razão e a arte de pensar, ou de se descobrir capaz de raciocinar e entender suas visões, alucinações e sonhos, onde seus mortos surgiam sempre, tão vivos.
Não entendia, e a única lógica seria que o homem sobrevivia a morte. Mas como, se lá estavam, apodrecidos seus restos mortais? Como, se suas carnes foram devoradas pelas bestas feras e seus ossos carregados?
Então, eliminada a sobrevivência física, o natural era a sobrevida não palpável, espiritual – extrafísica, e não admiti-la seria o mesmo que duvidar de si, pois, afinal, não seriam reais as aparições vivas dos mortos em sonhos?
O grande pai, a bondosa mãe, o poderoso líder, povoam sonhos de seus descendentes: estão vivos, e toda uma mística desenvolve-se para agradá-los; não são matérias, porém mostram-se integralmente, e, num momento difícil qualquer, suas forças, poderes ou conhecimentos, podem ser evocados para soluções e, ao sensível, é possível tê-los manifestos, fazendo-se ouvidos nos conselhos e admoestações, durante evocações tribais.
A árvore onde o velho chefe recostava-se ou cujas madeiras utilizava, a pedra em que se assentava; o seu animal preferido, a montanha que mais admirava; os seus fetiches e os comensais passam a ter valores representativos familiares, como seres, objetos e coisas sagradas, bem como carregadas de manas.
O simples domínio de uma família sobre outras, ou naturais agregações, aumentavam os protetores particulares, sendo que da tribo mais poderosa, faziam-se mais fortes seus ancestrais, com direitos de serem cultuados.
As experiências de vida, as epopeias realizadas, as vontades, desejos e ações do falecido, quando fortes, ganhavam conotações doutrinárias, instituindo-se com naturalidade o Totemismo, com as primeiras regras das proibições, dos sagrados e dos profanos, sempre na ordem dos princípios do chefe espiritual, em terra e representado, quase sempre, por algum dos membros da família.
Seus objetos, então sagrados, não podem ser tocados por qualquer um, seu animal predileto não pode ser morto, sua árvore é venerada e sua montanha não pode ser profanada: são os tabus.
Iniciam-se datas comemorativas, em geral um período de festas, onde se busca o chefe nos simbolismos, porque precisam e desejam agradá-lo, dando surgimento aos cultos e ritualismos onde, os de maiores sensibilidades promovem contatos diretos com os deuses e a eles oferecem sacrifícios.
Para os primeiros homens era terrível defrontar-se com a morte como o fim de tudo. A dor da separação, sabidamente definitiva, a saudade e a tristeza do inaceitável nunca mais, o remorso e a angústia de algo não feito, favoreciam e até exigiam condições dos mortos reaparecerem nos sonhos, nas visões de êxtases e nas incorporações; o homem necessitava disto, porque era esta a única maneira de manter vivos seus antepassados e lhes dar paz de consciência.
Então a morte física não era fim e nem poderia sê-lo, por significar glórias e vidas num outro mundo, onde não se era mais atingido tão facilmente; um mundo que mortais podem visitá-lo, contatá-lo e até descortinar mistérios, mas nele somente residir após a morte, ou seja, o despertar para a verdadeira vida.

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A HISTÓRIA SOBRE AS ORIGENS DA HISTÓRIA

1. Quando eram os deuses
Tudo teve origem, um princípio; não necessariamente uma história, porque esta somente surgiu com a escrita, depois de um longo período de representatividades em rabiscos cujas interpretações, às vezes, vagas, pela impossibilidade de se saber precisamente o que o homem da época pretendia expressar, senão sua interação total com natureza e os deuses, o mundo dos espíritos, os bons e os maus.
Com o advento da exposição de idéias por sinais gráficos, ao escriba coube historiar o princípio do ser antes da vida, conforme crença e entendimento sumer que "Da Imensidade Primeva vem à luz os Céus e a Terra", a compreender tal imensidade como existência incriada e ainda hoje não denominada, que já foi o éter ou fluído universal que deu surgimento ao Cosmo, do qual a matéria se fez exceção no incomensurável da invisibilidade.

São três as sequências cosmogônicas decorrentes, 'o Evo, o Cosmo e a Terra', o primeiro como engendrador de todo o Universo turbulento, enquanto os dois últimos separados pelo espaço vazio ocupado pela poeira cósmica, pelos ventos, pelas nuvens e tudo o que mais existe necessário para o surgimento e a sustentação da vida planetária ou aonde mais for possível estabelecê-la.
No contexto teogônico se tem Nammu, força pré-existente - o mar primordial, a dobrar-se sobre si e dar nascimento ao Deus do Céu [An] e a deusa da Terra [Ky - que se chamou, também, Ninmath - A Grande Dama; Ninhursag - A Dama da Montanha Cósmica; e Nintu - A Dama que Cria].
A Terra e o Céu complementavam-se; do amor de Nammu com Ky nasceram os tantos deuses - os Anunaki do panteão sumério, masculinos e femininos, responsáveis pelo surgimento da vida em suas múltiplas formas, estando estes deuses representados nos astros, outros corpos celestes, nos elementos e nas forças benéficas e hostis da natureza, nos meses e nas estações do ano, nas semeações e colheitas, centradas nos amores, incestos e traições dos deuses, de cujas conjunções também geraram como conseqüência, semideuses patronos das guerras, da paz, da saúde, da vingança entre os diversos que povoaram a terra.

A religião sumeriana é descrita com propriedade na obra 'Suméria a primeira grande civilização' (Amar Hamdani, tradução Maria Luiza de Albuquerque Silva, Otto Pierre Editores, coleção 'Grandes Civilizações Desaparecidas', 1978: 307-333).  
Aos Sumérios sucederam os Acadianos, a estes os Babilônios substituídos pelos Assírios secundados pelos Caldeus, cada qual a seu tempo ou, às vezes, coexistindo rivais em regiões específicas dentro do mesmo crescente fértil. 
De maneira geral estes povos mantiveram o mesmo panteão sumer, às vezes com outros nomes e sexos, contudo sem perdas dos atributos originais; apenas no decorrer dos séculos novas realidades surgentes, quando semideuses se apresentam ao lado de divindades menores, uns destituídos outros elevados, porém inalterados os relatos do surgimento cósmico, na sua essência, ainda que sob nova roupagem literária quanto ao ato da formação - visão acadiana, quando já presentes os deuses da criação do Céu e da Terra, vistos na epopeia denominada Enuma Elish: 
  • "Quando no alto não se nomeava o céu, e em baixo solo firme não tinha nome, do Oceano Primordial o seu Criador (...) quando nenhum dos deuses [corpos celestes] tinha aparecido, nem eram chamados pelo seu nome, nem tinham qualquer destino fixo, foram criados os deuses no seio das águas [do Oceano Primordial]".
    • Obra de referência: 'A civilização de Assur e Babilônia' (Georges Conteneau, Otto Pierre Editores, coleção 'Grandes Civilizações Desaparecidas' 1978) 
Mais adiante os hebreus compilam os diversos textos para ditar sua cosmogonia mística onde já aparecem os deuses na formação do mundo: "No princípio o conjunto dos deuses criou os céus, e a terra" (Gênesis Bíblica l: l).
Complementa a presente citação, Sabedoria 11: 17 "que [Deus] criou o mundo de matéria informe", alusão humana ao surgimento da terra como conseqüência de um princípio, ou seja, um período iniciado pelos deuses - Elohim, tempos astronômico e evolutivo, oriundo de uma agitação, aglomeração de matéria cósmica, condensada sobre si mesma e que deu origem ao 'big-bang', quiçá advinda de um 'big-crunch', como um universo então em expansões explosivas, dando nascimento às galáxias, nestas as estrelas entre a quais, o sol com seus planetas e corpos outros dentro do seu sistema, da mesma maneira que em todo este Cosmos ainda turbulento que o homem, hoje, principia melhor conhecer.
Ora, "Onde não havia nem céus e nem terra, soou a primeira palavra dos deuses, e toda a vastidão da eternidade estremeceu" (Mitologia Maia: Mistério do Desconhecido, Tempo e Espaço, Abril Livros, 1.993: 19). 
De um manuscrito chinês - citação mesmas obra e página: "Antes que o céu e a terra tomassem forma, tudo era vago e amorfo". 
Observa-se inquestionável paralelo com a Gênesis Bíblica l: 2 - "Ora, a terra mostrava ser sem forma e vazia".
Impressiona a similitude quíchua: "O Caos dominava em toda a parte, e o grande espírito planava por cima de tudo" (O Princípio dos Quíchuas, Peru, citado por Alexandre Braghine em 'O Enigma de Atlântida', 1959: 216).
Povos antigos, geograficamente separados, civilizações sem aparentes intercâmbios e com desenvolvimentos culturais específicos, possuem entre si proximidades religiosas tão evidentes que até possível fundi-las umas com as outras, sem perdas das essências. As tradições quanto às origens do universo são encontradas entre todos os povos, de qualquer continente, arquipélagos ou isoladas ilhas.
Os paralelismos e analogias não ficam apenas nos mitos das formações, encontrando-se, também, no surgimento ou a criação do homem e animais, no jardim paradisíaco, na rebelião dos deuses (anjos ou, filhos dos deuses) e consequentes expulsões, na tentação e queda do gênero humano, na perda da graça, a expulsão do paraíso, a promessa redentora com a vinda, senão do próprio deus, do filho. Possuem os mesmos elementos o dilúvio, a separação dos povos - confusão das línguas e outros pormenores, de maneiras hoje não mais aceitáveis como simples coincidências ou meras similitudes.
Hoje, a evolução linear da teoria de Darwin, acha-se ultrapassada, com seus ramos em becos sem saída da evolução, recorrendo-se então à evolução ramificada - policêntrica ou difusa; e esta é uma questão ainda mais complicadora para explicações de tantas coincidências de ordens religiosas, que parecem todas originárias de tronco comum, da mesma maneira que a filologia aponta etmo único para as classes de linguagem.
É importante verificar que, desde tempos remotos, a tendência do homem - inclusive o atual, em fazer-se animal tropical, claramente observável nos seus trajes, habitações, alimentações, parecendo sempre procurar atmosferas e temperaturas dos trópicos, promovendo calor artificial ou o frio necessário para seu bem estar corpóreo, independente dos milhares ou milhões de anos transcorridos, seja nos gelos, seja nas tórridas regiões; adaptou-se, mas não evoluiu termicamente.
Tem-se, então, que o homem é animal tropical e africano, até nova ordem, para espalhar-se por todos os continentes, arquipélagos e ilhas.
Mas, porque o atavismo religioso único? Iniciou-se com algum antepassado humano, advindo de uma única família, ou teve ele um elemento civilizador?
Necessita o homem de origem única para ter história semelhante?
Na verdade, a religião está tão intrinsecamente ligada à história humana e desenvolvimento das civilizações, que se torna praticamente impossível separa-las nas origens.
Se a etimologia aponta para uma única origem todas as classes linguísticas existentes, se o homem é um tropical africano de um único ramo racional, sobrevivente para diversidades posteriores, é notório que as primeiras formas religiosas têm, obrigatoriamente, de possuir traços e elementos comuns; todavia, o espalhamento da espécie humana para diversos e distantes pontos da terra trouxe experiências regionais diferentes, e nenhuma antiga lembrança histórico-religiosa unificada aponta para a África e nem remonta antiguidade superior aos 12 mil anos.
Desta forma, para transmissões de usos, costumes e crenças era preciso continuísmo histórico único, um estágio humano inexistente segundo as Ciências, portanto, apenas o princípio das observações inteligentes e sensações das primeiras experiências humanas em relação a natureza seriam iguais e transmitidas pelo atavismo, jamais aquelas diferentemente adquiridas por uns e não outros em regiões distintas que viriam povoar.
É aceito cientificamente que grupos humanos da antiguidade, separadamente, foram testemunhas, ao longo dos tempos, de muitos acontecimentos catastróficos regionais, vividos por uns e não necessariamente por outros, desde as agitações naturais - maremotos, terremotos, dilúvios e atividades vulcânicas entre outros cataclismos, até os ataques inesperados e provocadores de fugas, guerras e expulsões de algum lugar ideal - paraíso perdido.
Óbvias as possibilidades de assimilações culturais através de encontros intergrupais e este ou aquele grupo predominar sobre outros, para assim o fenômeno histórico-religioso análogo, todavia este fenômeno não poderia ocorrer se desligado da cultura formadora ou que tenha propiciado tais identificações, ou seja, não haveria nenhuma tradição teo-cosmogônica desacompanhada da cultura original, pois tais parecenças, ainda que adaptadas, são iguais em diferentes culturas.
Como um todo, o homem viu e sentiu o crescimento desproporcional de suas famílias - tribos, e os primeiros desentendimentos (engôdos, homicídios e guerras fratricidas) e divisões tribais para viver, a partir de então, experiências diferentes.
Com as separações tribais e avanços ou regressos históricos, cada povo fez sua cultura sempre interagindo com seu meio e os acontecimentos naturais, todavia num período relativamente recente da história da humanidade, aos tempos das navegações fenícias - 1200/500 AEC, o sistema histórico-religioso se fez comum a todos os povos, para a seguir ser adaptado, com retóricas, de acordo com circunstâncias regionais, por exemplo: "Ora a terra era solidão e caos, e as trevas cobriam o abismo, mas sobre as águas adejava o sopro dos deuses" (Gênesis l: 2), que demonstra uma nítida influência mesopotâmica - fartura de águas, contrastante com a aridez descrita em Gênesis 2: 5, ou seja, a criação de Yavé opondo-se a Elohim, seguramente sob influência palestínica. São textos próximos, notoriamente justapostos, sem a ousadia de fusão.
Também são religiosos os textos que cantam epopeias gloriosas de um povo, dos vitoriosos antepassados elevados à condição de deuses ou semideuses - divinização humana; que lamuriam derrotas, quase sempre amenizadas; que choram mortes e doenças; ou que se referem à perda de um paraíso glorioso. Nestes textos sagrados estão criados os mitos, os bons deuses e os maus, todos poderosos e responsáveis pelos acontecimentos. À incompreensão das coisas ou mistérios naturais, era atribuída responsabilidade às forças sobrenaturais.
Dentro destes aspectos coube ao homem deduzir, como ser intelectivo, os princípios criacionistas e de destruições, dentro das figuras de retóricas e imaginativas do bem e do mal, onde a um deus ou deuses benfazejos e criadores, cabiam opositores às obras.
O mundo era, sempre foi e o será, a concepção subjetiva dos aspectos do aquilo que não é bom, certamente é mau - adágio popular, encarnando-se aí deuses e demônios. A natureza tinha seus elementos de graças e desgraças, e era justo que o homem, desconhecedor dos mistérios, evocasse tais forças sobrenaturais para executar ou cumprir determinações, com óbvios resultados de erros e acertos, com as condicionais dentro dos ritos miméticos.

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SIMILITUDES RELIGIOSAS ANTIGAS E ATUAIS

1. Antigo Testamento
O mundo religioso cristão tem a Bíblia como conjunto de livros inspirados por Deus, portanto inerrôneos, embora tal opinião não seja unânime.
Alguns entendem os textos bíblicos como uma linguagem de retóricas e literatas, impróprias à compreensão atual. Outros os consideram lendários e até mesmo cópias adaptadas de outras culturas.
Ultimamente ressurgem 'aqueles' que apontam erros bíblicos e certas contradições, mesmo aquelas que não afetam as obras como um todo, apenas para fazê-la desacreditada. Geralmente não sabem o que lêem nem o que escrevem a respeito; são plagiadores de autores que não citam.
Estudiosos sérios e com certa independência em relação às seitas cristãs e judaicas, atestam que o denominado Antigo Testamento não é original, que Moisés não foi o autor do Pentateuco, e que outros livros não foram escritos pelos autores apontados. Refere-se a Yavé como um dos Elohim [deuses] bíblico que, suplantando os demais deuses se fez deus dos deuses - evidente monolatria, para somente depois tornar-se deus único - o monoteísmo.
Observa-se que a criação Elohista, lenda sumero-babilônica, ocorre dentro de um processo evolutivo coerente com as ciências atuais, eliminando-se os floreios, como um princípio gerador indefinido nos tempos, porem numa circunstância natural do meio e da época, como um ser abstrato, fruto de lendas apologéticas às crenças difundidas desde os começos das civilizações, quando o homem se viu capaz de pensar e explicar seu universo.
Elohim cria o homem à sua imagem e semelhança, homem e mulher conjuntamente; aqui é o homem buscando historicidade divina e identificar-se com o criador - deuses, assumindo a inteligência que o distingue dos outros animais, a consciência do eu, e do seu domínio, ainda titubeante, sobre a terra.
No texto Elohista não existe um paraíso, não aconteceu o pecado original e suas conseqüências; existe e isto sim, a idéia progressiva de que a terra e todas as coisas que nela há, está para o homem e sujeitas a ele.
A Elohim contrapõe-se Yavé, invertendo a ordem criacionista, fazendo o homem só para depois lhe dar uma companheira. Yavé, um deus de origem fenícia e com fortes influências palestínicas, tem o homem como primícia que, decaído, necessitou de pronta ação sua, com os contrastes de uma condenação hereditária e uma promessa redentorista, formando assim uma instituição religiosa para um povo eleito, provável ascendência e descendência do autor, com Yavé colocando, desde o início, exclusividade de cultos, fazendo-se antropomorfo, beirando às vezes as raias da inocência e do ridículo, buscando elevar o homem à própria condição de deus, enquanto ele próprio procura se igualar ao homem.
São textos de autores distintos, interpolados e de diferentes culturas, que copistas do século IV AEC colocaram na história judaica, sem ousadias de fundi-los.
Uma característica percebida na Gênesis Bíblica é a individualização do coletivo, dando aos patriarcas a denominação de povos, atribuindo-lhes longevidades etárias, que corresponde ao período de seus domínios, em que mantiveram independentes.
A não originalidade bíblica - Antigo Testamento prossegue naquilo que se observa quando a civilização judaica, no seu desenvolvimento, toma sempre emprestada de outras culturas, variados símbolos, aspectos e personagens, por exemplo, o Decálogo, dos povos mesopotâmicos, somente inseridos na cultura judaica entre os séculos X e VII AEC, que fornecem também as lendas referentes aos seis dias da criação, o sábado do descanso, a figura do Moisés, a torre de Babel, o paraíso terrestre, alguns demônios e outras assimilações; do Egito os judeus valeram-se da arca da aliança, páscoa, circuncisão, oblações, vestimentas sacerdotais e sacrifícios; dos gregos, absorveram o pensamento filosófico e o caráter personalístico do deus Yavé, inspirado em Zeus; nos romanos buscou o universalismo e, do oriente, o seu misticismo.
Nenhum manuscrito bíblico original, em hebraico, foi conservado, salvo alguns poucos fragmentos de duvidosa fidelidade. Os que hoje existem, em hebraico, foram transcritos do grego, no século X EC.
O judeu jamais desenvolveu cultura própria, mas foi nessa ausência de originalidades e independências de civilização material, que pôs em maior relevo o valor das instituições religiosas e morais, como elementos básicos de sua união e sobrevivência como nação, que um dia afastou-se das lendas para fazer história.
2. Novo Testamento
As analogias religiosas não se atem apenas ao Antigo Testamento Bíblico, vista que o Novo também as possuem e em números impressionantemente consideráveis.
"Bendita és tu (...) entre todas as mulheres fostes escolhida para a obra da salvação; ele virá com uma coroa de luz (...) Virgem Mãe, pois que darás a luz a Nosso Salvador, a quem porás o nome de (...)".
Esta mensagem foi anunciada a uma virgem sobre o nascimento do prometido salvador, filho do deus altíssimo, através de um anjo mensageiro, para cumprimento às escrituras.
E a virgem foi engravidada pelo santo espírito - virtude de deus; o esposo intentou deixa-la, tão logo a soube grávida quando nem haviam se relacionado sexualmente, somente não a abandonando porque, em sonhos, lhe foi esclarecido por um anjo que, o que nela estava, era fruto do divino espírito de deus.
Avisados por um anjo, reis pastores desejaram prestar homenagens ao salvador nascido, mas perdendo-se pelos caminhos, chegaram até ao palácio de um rei que, depois de despedida dos visitantes que seguem uma estrela guia, determina matança de todos os infantes de uma região, no desejo de exterminar o filho de deus, mas fracassa em seus intentos porque um anjo do senhor avisa a família, antecipadamente, para fugir do local e se colocar a salvo no estrangeiro.
O jovem predestinado tem, em sua história, um silêncio que vai dos seus doze aos trinta anos de idade, para então iniciar sua obra redentora, em constantes peregrinações com seus discípulos.
Mas o anjo anunciador não foi Gabriel, o deus não é Yavé, a Virgem não é Maria, e o salvador não é Jesus.
Esta é a história de Krishna quando de sua peregrinação pela terra, 575 anos antes do nascimento de Jesus, que tem como fontes informativas estudos de Elsie Dubugras (Revista Planeta, publicações 141-C e 162: 'Bíblia Sagrada - Um Texto de Linhas Turvas e Carente de Originalidade', e 'Deuses Filhos de Virgens', respectivamente); Félicien Challaye ('Pequena História das Grandes Religiões', Ibrasa, 1967); e Holger Kersten ('Jesus Viveu na Índia, Best Seller, 1.986).
Entre Jesus e Krishna, existem quase quatrocentos incidentes semelhantes, inclusive a imagem do pregador crucificado, tal qual Cristo, com uma coroa de espinhos, bem como a ressurreição dentre os mortos e a elevação aos céus.
"Disse-lhe o anunciador: Exulta-te oh! Virtuosa e sê feliz, pois o filho ao qual darás a luz é Santo."
Este nascimento fora prenunciado por um mensageiro - anjo, com concepção divina; a criança quando apresentada no Templo foi tomada nos braços por um velho religioso que, exultante tal qual Simeão com Cristo profetizou-lhe a missão terrena.
Quando na puberdade, com doze anos, o santo desgarrou-se de seus pais, durante uma viagem, para ser encontrado depois, num templo, debatendo com velhos sábios acerca das coisas sagradas.
Inicia sua missão em idade próxima aos trinta anos dirigindo-se, inicialmente, a um deserto onde esteve por quarenta dias e quarenta noites, em jejum e meditação, ocasião em que é tentado pelo demônio. É um pregador pobre que escolheu doze seguidores, sendo que os primeiros a serem chamados estão assentados à sombra de uma figueira; dos doze, dois são irmãos; tem predileção por um, e dentre eles, existe um traidor que, no entanto, não consegue realização de seus intentos.
O pregador é Buda e sua história também tem outras analogias com a de Jesus, conforme descreve Holger, e com algumas práticas bem próximas a uma das principais seitas do Cristianismo, o Catolicismo Romano.
Existem relatos, de que pelo menos quatorze dos redentores que se sacrificaram pela humanidade, tiveram história semelhante a de Jesus, desde a anunciação e nascimento virgíneo, até à morte sacrifical, com ressurreição e ascensão aos céus.
Destas citações compreendem-se paralelismos religiosos, justificando a tese de um único tronco formador religioso, mais ou menos comum a todas as civilizações - povos e raças, entendendo ser lógico que, diante de tantas coincidências, é provado a não originalidade das religiões cristã e judaica, ficando até mesmo a verdade de que Jesus, longe de ser histórico, foi apenas o símbolo do Cristo ideal.
Um estudioso de religiões, independente e sem sectarismo, pode perceber as notáveis semelhanças entre católicos e budistas, quanto aos cerimoniais com uso de velas, incensos, rosários, água benta, imagens de santos, sinal da cruz, instituições próprias para formações de iniciados, indumentárias sacerdotais, determinação celibatária, os dias especiais de santos, jejuns, penitências entre outros detalhes não menos importantes.
São também impressionantes as semelhanças vistas entre o Mitraísmo e o Cristianismo, em especial a seita Católica Apostólica Romana, que vão desde o batismo à santa ceia, passando por tantas outras coincidências, que tais não podem ser vistas como meros pontos acidentais.
O Mitraísmo, considerado uma religião salvacionista e de mistérios, empolgava as massas entre os séculos I a III, e não fosse o Cristianismo ser adotado, em seu lugar, como religião oficial do Estado pelo Império Romano, o mundo seria Mitraísta conforme bem colocado por Challaye.
O fanatismo católico dos primeiros tempos arrasou os seguidores de Mitra, no século V, não sem antes absorver deles doutrinas e ritos. Eram duas religiões extremamente iguais, para conviverem juntas (Challaye, op.cit).
Para justificar tantas coincidências de mitos - lendas e panteões religiosos entre povos diversos e distantes, alguns estudiosos determinam que, em algum lugar do passado histórico humano, houve alguma civilização adiantadíssima, em relação às demais, a ponto de influenciar de maneira significativa àquelas outras culturas.
Mas, alguns requisitos básicos tornam-se necessários para tais acontecimentos: a civilização dominante deveria estar num estágio evolutivo desproporcional, em relação às demais; ter-se desenvolvido com elementos mais próprios possíveis; apresentar avanços tecnológicos; ter estabelecido contatos ou domínios mais ou menos longos com os influenciados; e sua obra ter sido de caráter quase que universal - estabelecimento de colônias distantes, mas sempre assistidas, em partes distintas do globo, alem de fazer de seus primeiros discípulos, pregoeiros das boas novas ensejadas.
Especialistas há que exigem que a própria derrocada do império dominador tenha sido, senão catastrófica, pelo menos violenta, para que os relatos dos sobreviventes ou testemunhas tivessem deixado marcas profundas nas mitologias e lendas, bem como nas consciências dos povos submetidos ou aliados.
Estabelecidos os pontos, voltamos às grandes civilizações do passado, das quais sem dúvidas destacou-se a sumeriana como a primeira e mais importante delas.
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